domingo, 6 de fevereiro de 2011

A dificuldade escolar...

Para o DSM IV ,
Transtornos da aprendizagem  são diagnosticados quando os resultados do indivíduo em testes padronizados e individualmente administrados de leitura,expressão escrita ou matemática estão substancialmente abaixo do esperado para idade, escolarização e nível de inteligência.

 Por outro lado, temos que o desempenho escolar depende de diferentes fatores: características da escola (físicas, pedagógicas, qualificação do professor), da família (nível de escolaridade dos pais, presença dos pais e interação dos pais com escola e deveres) e do próprio indivíduo (ARAÚJO, APCQ, 2002). 


Podemos então concluir, que o quadro pode ser caractrizado como: dificuldade na quisição, percepção, processamento ou evocação das informações; dificuldade na realização das tarefas de forma autônoma e independente; dificulduldade relacional no ambiente escolar.


Devemos estar atentos para diferenciar de "criança preguiçosa" de criança com dificuldade. A preguiça, pode na verdade, ser apatia diante do desafio a ser enfrentado, de não querer demosntrar aos pais que não sabe. Algumas crianças costumam omitir informações, falar que não foi explicado, enquanto estudam bebem muita água e vão ao banheiro para não manter-se frente ao caderno, distraem-se com facilidade, e no momento da tarefa, querem conversar sobre outros assuntos.

Outro ponto de atenção é o diagnóstico. Muitos sintomas são similares entre vários transtornos como TDA, TDHA, dislexia, discalculia, depressão infantil, transtornos de humor, transtorno de ansiedade e transtorno de conduta. Assim, somente uma análise apurada do histórico da criança e família, avaliação dela nos diferentes contextos, pode responder o diagnóstico.
Seguem alguns sinais que podem indicar dificuldade escolar ou emocional: 
  • Inquetação motora
  • Excitabilidade
  • Desligamento (déficit de atenção)
  • Isolamento
  • Abordagem intelectual confusa
  • Percepção irregular
  • Lentidão no processo associativo
  • Dificuldade de compreensão, interpretação, atenção, memorização, análise, síntese e generalização
  • Falta de energia e apatia (preguiça)
  • Medo de ação independente
  • Negativismo (constante, sentimento de incapacidade)
  • Sentimento de inferioridade
  • Interesses reduzidos (ou fixados)
  • Falta de confiança na produtividade
  • Discordância entre capacidade e ação
  • Imaturidade (intelectual, social e afetiva)
  • Irritabilidade (baixa tolerância a frustração)

     Na presença de vários desses sintomas, especialmente em relação as atividades escolares, deve-se encaminhar a um especialista para averiguação. Profissionais que lidam com a situação: psicólogo, psiquiatra, neurologista, terapeuta ocupacional, psicopedagogo, fonoaudiólogo e pedagogo.

     É importante lembrar, que para um diagnóstico efetivo, precisa-se de uma avaliação apurada, o que requer conversar com a criança e pais, observá-la em contexto escolar e protegido. Particularmente, levo de 4 a 5 sessões, mais a conversa com as pessoas que cuidam da criança, para chegar a uma conclusão. Na visão da Terapia Ocupacional, não basta identificar a diciculdade-problema, mas é essencial investicar o que gera o problema, permitindo tratamento com resultados a longo prazo. Toda pessoa é passível de aprender, em algum nível,desde que com a medotologia apropriada para ela.

    domingo, 30 de janeiro de 2011

    Auxiliando nas tarefas de casa

    Ajudar uma criança fazer a tarefa de casa, normalmente é uma tarefa complicada, que termina em choro, briga, pais estressados e um pouco de castigo. Mas isso não precisava ser assim…
    O fato é que muitas vezes essa situação ocorre à noite, quando todos estão cansados de um dia cheio de responsabilidades, cobranças, calor, falta de dinheiro, excesso de informação, enfim… O horário em que pais querem curtir um sofá e filhos também. Por isso, geralmente queremos fazer ela – a lição de casa - de forma rápida. Bem aí mora o problema…
    Se quando estamos ajudando a criança num exercício de matemática e dizemos COMO ela deve fazer… “coloque o número aqui, agora soma, essa você diminui, 3×4 é.. 12… “
    Pronto! Estamos dando a resposta para ela, e não permitindo que ela desenvolva seu próprio raciocínio de como resolver o problema. Assim ela até irá garantir o ponto da tarefa, mas com certeza não conseguirá desenvolver numa prova ou em outro exercício.
    Então, mesmo que isso requer muita paciência e calma, permita que a criança tente do seu jeito e converse com ela se tem sentido o que fez (depois que fez). Se precisar, use coisas para explicar, deixe-a contar nos dedos, ajude a interpretar as palavras do problema. Em últimos casos, coloque uma observação ao professor sobre a dificuldade.
    Dar  “cascudos” na cabeça, mesmo que de leve, chamar de burro, lerdo, preguiçoso ou qualquer outra palavra negativa fará com que a criança associe o estudar a uma situação negativa. Em muitos casos, quando é recorrente, passa a acreditar que de fato é burra e que não aprende nada, que nunca vai conseguir fazer, deixando sua auto-estima bastante sensível.
    Parece bobo, mas para uma criança, o que os pais falam dela, é o que ela acredita ser!
    Procure, mesmo que difícil, usar o momento das tarefas como uma forma agradável de estar com a criança, use sua fantasia, criatividade, lembre-se de como você gostava de aprender e as respostas de como ajudar virão.

    A matemática

    …” a matemática é comumente considerada a mais abstrata, racional, formal, universal e descontextualizda das disciplinas.. ”

    Sua história caminha juntamente com a história da humanidade, é uma invenção humana que objetiva organizar os eventos e objetos do mundo. A matemática é uma atividade humana, afinal, faz parte do desempenho ocupacional das pessoas em seu dia-dia… Organizamos os móveis, desenhamos, fazemos contas, percentuais, orçamento doméstico, comparamos preços, verificamos se algo realmente está em promoção… medimos tecido, pintamos parede e verificamos quanto de tinta e tempo isso vai custar, competimos com pontuação de quem tem mais vence, contamos, contamos e contamos …

    Enquanto campo de ensino, primeiramente ela era restrita a alguns nobres e filósofos, mas a medida que a industrialização, comércio e tecnologia foram desenvolvendo-se, houve necessidade da matemática ser difundida surge os alunos caracterizados como receptores: receber-escrever-memorizar-repetir-aprender. Seu aprendizado era dividido em aritmética, álgebra e geometria, separadamente e nesta ordem. Por influência da ciência, a moderna matemática focava terminologia complexa, simbólica e distanciada da prática, gerando muitas dificuldades em seu aprendizado.

    Mas já em 1948, a percepção que esta forma de aprendizado não garantia seu sucesso, emergiu o ensino enfocado na compreensão matemática, baseado na “resolução de problemas”. Ao fim da década de 1970, a filosofia piagetiana é acrescentada, a linguagem matemática perde o foco para seu aprendizado em si - a didática. Resultado: o problema não era resolver o cálculo, mas escolher a conta apropriada a ele.

    Apesar das pesquisas em didática matemática, o que temos ainda como resultado, é o analfabetismo funcional. Ou seja, cerca de 70% dos adultos brasileiros não conseguem aplicar as idéias matemáticas no seu dia-dia.

    Tópicos da história da Terapia Ocupacional

    Em meados do século XX, pouco antes da Primeira Guerra Mundial, muitos médicos, enfermeiros e sociólogos perceberam – que um paciente ocupado e produtivo evoluía muito mais em seu processo de cura, que aquele que ficava “restrito ao leito, em total repouso”. Na época, especialmente aos pacientes psiquiátricos, depois tuberculosos (epidemia) e ex-combatentes de guerra mutilados e traumatizados que anciavam por um retorno produtivo na sociedade.
     
    Inicia-se assim, a discussão da possibilidade da ocupação (atividades de qualquer tipo) ser uma forma de tratamento, uma possibilidade de retorno do doente a sociedade; de forma que médicos, arquitetos, enfermeiros, psicanalistas foram construindo os pressupostos da Terapia Ocupacional, firmando-se como um curso de nível superior (1938) - antes curso técnico, e hoje como profissão regulamentada com métodos, instrumentos e finalidades próprios.

    Assim a Terapia Ocupacional definiu-se como  ciência e arte das ocupações humanas, ou seja, ela não somente estuda o que e como as pessoas fazem suas coisas como é responsável por garantir a funcionalidade da pessoa em seu dia-dia, seja adaptando os objetos que a pessoa utiliza, ensinando novas formas de usá-los ou encontrando formas alternativas que garantam que a pessoa seja respeitada na sua dignidade, potencial e autonomia.

    ONDE VOCÊ NOS ENCONTRA?
    • Hospitais Gerais e Especializados
    • Clínicas, consultórios e centros de reabilitação
    • Centros de Reabilitação Profissional e Empresas
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    • Inclusão escolar
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    • Pesquisa científica
     

    Terapia Ocupacional em resumo...

    William Dunton, um dos fundadores da Terapia Ocupacional, apontou algumas reflexões no período da Primeira Guerra Mundial:

    Que ocupação é tão necessária para a vida quanto a comida e a bebida… Que todo ser humano deveria ter uma ocupação física e mental.. Que mentes doentes, corpos doentes, almas doentes poderiam ser curadas através da ocupação..  Para o terapeuta ocupacional, ocupação é um elo de retorno à vida, é o meio utilizado para engajamento do paciente na reconstrução de sua vida.
    São as atividades diárias, presentes na cultura e que preenchem o tempo, ou seja, é o fenômeno central da vida diária, pelo qual as pessoas entendem seu próprio significado. AQUILO QUE VOCÊ FAZ TODOS OS DIAS. Que nós terapeutas dividimos em atividades de auto cuidado, lazer e produtividade. Quer um exemplo?

    Comer e beber, preparar ou comprar seus alimentos, vestir-se, escovar os dentes, pentear-se, tomar banho, fazer xixi e coco, dormir, movimentar-se, comunicar-se, relacionar-se e ter segurança. Além disso, a forma como as fazemos, a maneira como obtemos os recursos para fazê-las é bem diferente

    Há quem goste de plantar suas próprias verduras em casa, outros preferem comer em restaurantes todos os dias, alguns vão de carro ao trabalho, outros de bicicleta e um bom número de ônibus. Há os que moram em apartamento e sobem escadas todos os dias e quem não tem nem onde morar. Alguns estudam, muitos trabalham , praticam esportes, usam telefone, conversam pelo computador, tem segurança próprio ou fogem de tiroteio todos os dias. Como nada caí do céu inventamos o trabalho remunerado para pagar nossas contas, produtos para serem produzidos e vendidos e leis para organizar tudo isso!

    Resumindo, para sobreviver fomos desenvolvendo ferramentas, regras sociais, profissões, divertimento. Surgiram doenças, inventamos remédios, discutimos a importância disso ou daquilo… Para sobrevivermos mantemo-nos ocupados o tempo todo, até mesmo na “ociosidade em frente da televisão”.

    A questão é que NÃO SOMOS ONIPOTENTES, estamos sujeitos a doenças infecciosas, distúrbios emocionais, envelhecimento, acidentes, violência, disfunções físicas e mentais, dificuldades de interação, presença de drogas, desvios comportamentais, dificuldades de aprendizado, síndromes genéticas, desgaste físico…. E tudo que fizemos depende do corpo e da mente, é neste ponto que as atividades tão corriqueiras tornam-se tão importantes!

    Terapia Ocupacional é isso, auxiliar o retorno das funções ocupacionais diárias.

    Apresentação

    Sou Terapeuta Ocupacional e professora do curso de Terapia Ocupacional em Joinville/SC. Atualmente, trabalho com crianças e adolescentes que apresentam dificuldade escolar, principalmente no campo da matemática. Antes de formar-me como terapeuta, fui professora de matemática no ensino fundamental e médio. E da realidade da sala de aula, mergulhei nessa questão: Por que é tão difícil aprender matemática?

    Para uma ideia, basta um espaço. A proposta deste blog  é a de troca de informações e idéias a respeito do tema, conceitos e atualidade das pesquisas na área, casos e algumas idéias para  lidar com o problema. 

    Então vamos ao trabalho!!
    Abraços,