domingo, 30 de janeiro de 2011

Auxiliando nas tarefas de casa

Ajudar uma criança fazer a tarefa de casa, normalmente é uma tarefa complicada, que termina em choro, briga, pais estressados e um pouco de castigo. Mas isso não precisava ser assim…
O fato é que muitas vezes essa situação ocorre à noite, quando todos estão cansados de um dia cheio de responsabilidades, cobranças, calor, falta de dinheiro, excesso de informação, enfim… O horário em que pais querem curtir um sofá e filhos também. Por isso, geralmente queremos fazer ela – a lição de casa - de forma rápida. Bem aí mora o problema…
Se quando estamos ajudando a criança num exercício de matemática e dizemos COMO ela deve fazer… “coloque o número aqui, agora soma, essa você diminui, 3×4 é.. 12… “
Pronto! Estamos dando a resposta para ela, e não permitindo que ela desenvolva seu próprio raciocínio de como resolver o problema. Assim ela até irá garantir o ponto da tarefa, mas com certeza não conseguirá desenvolver numa prova ou em outro exercício.
Então, mesmo que isso requer muita paciência e calma, permita que a criança tente do seu jeito e converse com ela se tem sentido o que fez (depois que fez). Se precisar, use coisas para explicar, deixe-a contar nos dedos, ajude a interpretar as palavras do problema. Em últimos casos, coloque uma observação ao professor sobre a dificuldade.
Dar  “cascudos” na cabeça, mesmo que de leve, chamar de burro, lerdo, preguiçoso ou qualquer outra palavra negativa fará com que a criança associe o estudar a uma situação negativa. Em muitos casos, quando é recorrente, passa a acreditar que de fato é burra e que não aprende nada, que nunca vai conseguir fazer, deixando sua auto-estima bastante sensível.
Parece bobo, mas para uma criança, o que os pais falam dela, é o que ela acredita ser!
Procure, mesmo que difícil, usar o momento das tarefas como uma forma agradável de estar com a criança, use sua fantasia, criatividade, lembre-se de como você gostava de aprender e as respostas de como ajudar virão.

A matemática

…” a matemática é comumente considerada a mais abstrata, racional, formal, universal e descontextualizda das disciplinas.. ”

Sua história caminha juntamente com a história da humanidade, é uma invenção humana que objetiva organizar os eventos e objetos do mundo. A matemática é uma atividade humana, afinal, faz parte do desempenho ocupacional das pessoas em seu dia-dia… Organizamos os móveis, desenhamos, fazemos contas, percentuais, orçamento doméstico, comparamos preços, verificamos se algo realmente está em promoção… medimos tecido, pintamos parede e verificamos quanto de tinta e tempo isso vai custar, competimos com pontuação de quem tem mais vence, contamos, contamos e contamos …

Enquanto campo de ensino, primeiramente ela era restrita a alguns nobres e filósofos, mas a medida que a industrialização, comércio e tecnologia foram desenvolvendo-se, houve necessidade da matemática ser difundida surge os alunos caracterizados como receptores: receber-escrever-memorizar-repetir-aprender. Seu aprendizado era dividido em aritmética, álgebra e geometria, separadamente e nesta ordem. Por influência da ciência, a moderna matemática focava terminologia complexa, simbólica e distanciada da prática, gerando muitas dificuldades em seu aprendizado.

Mas já em 1948, a percepção que esta forma de aprendizado não garantia seu sucesso, emergiu o ensino enfocado na compreensão matemática, baseado na “resolução de problemas”. Ao fim da década de 1970, a filosofia piagetiana é acrescentada, a linguagem matemática perde o foco para seu aprendizado em si - a didática. Resultado: o problema não era resolver o cálculo, mas escolher a conta apropriada a ele.

Apesar das pesquisas em didática matemática, o que temos ainda como resultado, é o analfabetismo funcional. Ou seja, cerca de 70% dos adultos brasileiros não conseguem aplicar as idéias matemáticas no seu dia-dia.

Tópicos da história da Terapia Ocupacional

Em meados do século XX, pouco antes da Primeira Guerra Mundial, muitos médicos, enfermeiros e sociólogos perceberam – que um paciente ocupado e produtivo evoluía muito mais em seu processo de cura, que aquele que ficava “restrito ao leito, em total repouso”. Na época, especialmente aos pacientes psiquiátricos, depois tuberculosos (epidemia) e ex-combatentes de guerra mutilados e traumatizados que anciavam por um retorno produtivo na sociedade.
 
Inicia-se assim, a discussão da possibilidade da ocupação (atividades de qualquer tipo) ser uma forma de tratamento, uma possibilidade de retorno do doente a sociedade; de forma que médicos, arquitetos, enfermeiros, psicanalistas foram construindo os pressupostos da Terapia Ocupacional, firmando-se como um curso de nível superior (1938) - antes curso técnico, e hoje como profissão regulamentada com métodos, instrumentos e finalidades próprios.

Assim a Terapia Ocupacional definiu-se como  ciência e arte das ocupações humanas, ou seja, ela não somente estuda o que e como as pessoas fazem suas coisas como é responsável por garantir a funcionalidade da pessoa em seu dia-dia, seja adaptando os objetos que a pessoa utiliza, ensinando novas formas de usá-los ou encontrando formas alternativas que garantam que a pessoa seja respeitada na sua dignidade, potencial e autonomia.

ONDE VOCÊ NOS ENCONTRA?
  • Hospitais Gerais e Especializados
  • Clínicas, consultórios e centros de reabilitação
  • Centros de Reabilitação Profissional e Empresas
  • Escolas e centros de apoio ao estudante
  • Centros sociais, casa de repouso e asilos
  • ONGs e Associações
  • Centros Psicossociais
EM QUAIS ÁREAS ATUAMOS?
  • Neurologia
  • Reumatologia
  • Ortopedia e traumatologia
  • Psiquiatria e saúde mental
  • Dependência química
  • Geriatria e gerontologia
  • Cardiorrespiratória
  • Neonatologia e Pediatria
  • Deficiência mental, visual, auditiva
  • Dificuldades cognitivas e de aprendizagem
  • Oncologia e doenças infecciosas
  • Saúde do trabalhador
  • Inclusão escolar
  • Inclusão social
  • Confecções de órteses e adaptações
  • Oficinas produtivas
  • Pesquisa científica
 

Terapia Ocupacional em resumo...

William Dunton, um dos fundadores da Terapia Ocupacional, apontou algumas reflexões no período da Primeira Guerra Mundial:

Que ocupação é tão necessária para a vida quanto a comida e a bebida… Que todo ser humano deveria ter uma ocupação física e mental.. Que mentes doentes, corpos doentes, almas doentes poderiam ser curadas através da ocupação..  Para o terapeuta ocupacional, ocupação é um elo de retorno à vida, é o meio utilizado para engajamento do paciente na reconstrução de sua vida.
São as atividades diárias, presentes na cultura e que preenchem o tempo, ou seja, é o fenômeno central da vida diária, pelo qual as pessoas entendem seu próprio significado. AQUILO QUE VOCÊ FAZ TODOS OS DIAS. Que nós terapeutas dividimos em atividades de auto cuidado, lazer e produtividade. Quer um exemplo?

Comer e beber, preparar ou comprar seus alimentos, vestir-se, escovar os dentes, pentear-se, tomar banho, fazer xixi e coco, dormir, movimentar-se, comunicar-se, relacionar-se e ter segurança. Além disso, a forma como as fazemos, a maneira como obtemos os recursos para fazê-las é bem diferente

Há quem goste de plantar suas próprias verduras em casa, outros preferem comer em restaurantes todos os dias, alguns vão de carro ao trabalho, outros de bicicleta e um bom número de ônibus. Há os que moram em apartamento e sobem escadas todos os dias e quem não tem nem onde morar. Alguns estudam, muitos trabalham , praticam esportes, usam telefone, conversam pelo computador, tem segurança próprio ou fogem de tiroteio todos os dias. Como nada caí do céu inventamos o trabalho remunerado para pagar nossas contas, produtos para serem produzidos e vendidos e leis para organizar tudo isso!

Resumindo, para sobreviver fomos desenvolvendo ferramentas, regras sociais, profissões, divertimento. Surgiram doenças, inventamos remédios, discutimos a importância disso ou daquilo… Para sobrevivermos mantemo-nos ocupados o tempo todo, até mesmo na “ociosidade em frente da televisão”.

A questão é que NÃO SOMOS ONIPOTENTES, estamos sujeitos a doenças infecciosas, distúrbios emocionais, envelhecimento, acidentes, violência, disfunções físicas e mentais, dificuldades de interação, presença de drogas, desvios comportamentais, dificuldades de aprendizado, síndromes genéticas, desgaste físico…. E tudo que fizemos depende do corpo e da mente, é neste ponto que as atividades tão corriqueiras tornam-se tão importantes!

Terapia Ocupacional é isso, auxiliar o retorno das funções ocupacionais diárias.

Apresentação

Sou Terapeuta Ocupacional e professora do curso de Terapia Ocupacional em Joinville/SC. Atualmente, trabalho com crianças e adolescentes que apresentam dificuldade escolar, principalmente no campo da matemática. Antes de formar-me como terapeuta, fui professora de matemática no ensino fundamental e médio. E da realidade da sala de aula, mergulhei nessa questão: Por que é tão difícil aprender matemática?

Para uma ideia, basta um espaço. A proposta deste blog  é a de troca de informações e idéias a respeito do tema, conceitos e atualidade das pesquisas na área, casos e algumas idéias para  lidar com o problema. 

Então vamos ao trabalho!!
Abraços,